segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A banalidade da morte

Eu hesitei, mas acabei assistindo ao vídeo que mostra o assassinato do torcedor em Minas Gerais por animais do Atlético.
É chocante. Também é chocante que o vídeo seja exibido e reexibido nos noticiários, na internet para quem quiser assisti-lo.
Primeiro, quero comentar como a morte é banalizada. Mata-se para tirar o celular, o carro, o tênis. Sequestra-se e mata porque se está sem dinheiro. Mata-se porque você torce por um time e eu por outro. Sendo que os jogadores não estão nem aí para time algum. Pode até ser que gostem mais de um ou de outro. Mas ninguém passa uma vida sem trocar de time somente por amor à camisa. Os jogadores fazem o que é melhor para eles porque aquilo é negócio, esporte, é o ganha-pão deles e estão certíssimos. Mas os imbecis dos torcedores acabam com suas próprias vidas e com as de famílias inteiras por um jogo. Que imbecilidade é essa?
Eu gostava muito de futebol até que vi, há anos, uma matéria sobre um jovenzinho que morreu indo apra o jogo. Ele nem sequer chegou ao estádio. Foi espancado e dias depois morreu. A imagem do rapaz ainda vivo, frágil e de olhos inchados me impressionou e eu me prometi que não mais assistiria a futebol, não enquanto bestas brutalizadas estivessem assistindo e se matando.
Agora, acabei de clicar em um portal da internet e vi o vídeo do rapaz. Imaginem a mãe dele vendo seu filho sendo morto várias e várias vezes? Imaginem os amigos, parentes, talvez a namorada? Se eu, que nunca vi o rapaz, fiquei completamente pasmada e triste, imaginem todos que o amavam e amam?!
Tantas e tantas pessoas lutam pela vida porque estão doentes, doentes terminais, mas que querem viver. Tantos lutam para sobreviver à miséria, às condições subhumanas de favelas e periferias. E um grupo de imbecis tira a vida de quem tudo pela frente. A vida parece não valer mais nada.
Mas também queria expressar a minha tristeza mediante a atitude das emissoras de televisão, os jornais, os portais. De nada adianta deixar vídeos de agressão disponíveis. Eles chocam e entristecem pessoas de bom coração, como eu ou você. Mas seres bestializados que se comprazem em ver o sofrimento do outro e matar ficam cada vez mais excitados em repetir seus atos de maldade. Essa é a verdade.
A morte não deve ser banalizada como está sendo. Minha compaixão e condolências à mãe de Otávio Fernandes. Que Deus abençõe seu filho e dê forças à senhora.

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