Passei o dia ontem no COTIC, espaço para crianças com deficência mental, física ou vítimas de maus tratos e, por isso, em situação de risco social, como se diz.
Foi uma ação voluntária de uma das unidades de negócios da Dow. Aproximadamente 30 pessoas deixaram um dia de "trabalho normal" para levar um pouco de conforto às crianças e fazer benfeitorias no local. Eu fui como prestadora de serviços para a Dow.
Foi uma iniciativa muito bacana. Todos realmente se entregaram ao que estavam fazendo. Eu pintei paredes e grades e depois, quando não aguentava mais o Sol quente e a minha gripe (que perdura até hoje), fui dar uma espiada nas crianças. Até que uma virou para mim e disse "tia, senta aqui para brincar comigo". Bom, fui e só deixei de brincar quando o ônibus estava partindo.
Fiz bolha de sabão, maqueei as meninas mais velhas, peguei uma garotinha encantadora e marrenta nos braços várias e várias vezes, dei beijos, abraços, contei historinha, escrevi, me entreguei.
Uma experiência única e encantadora. Dizem que a gente sempre sai diferente de um trabalho assim e eu sai mesmo. Só espero que essa sensação dure.
A sensação é de que o amor existe. Não sei se as crianças que estão lá terão perspectivas na vida. Algumas tem deficiências severas. Uma delas ficou deficiente (tem uns dois aninhos) porque o pai a agrediu tanto que ela perdeu massa encefálica.
Outros são altistas e vivem alheios, dentro dos seus próprios mundos. Sou espírita e encontro explicação na minha religião para tanto sofrimento. Mas não quer dizer que eu não sinta muita dó deles. Ao mesmo tempo, admiro aqueles enfermeiros, enfermeiras, cuidadoras que estão lá, dedicando sua vida aqueles que não tem nada nesta existência.
Agradeci a Deus ontem por ser saudável, perfeita. Agradeci por ter capacidade de amar. Entendi o quanto há realmente problemas maiores e como é difícil dependermos totalmente dos outros como aquelas crianças. Fiquei pensando como é não ter mãe e nem pai ou ter os dois e eles não darem a mínima para nós.
Entendi e me assustei com o abandono. Acreditem, é completamente diferente ver pela tela da televisão ou através do vidro do carro e estar ali, lado a lado com eles.
E eles só queriam nos abraçar, beijar, brincar, que olhássemos para seus rostos...
Grande Mestre, o que eu te peço é que essas crianças tenham sempre quem olhe por eles. E que eu, em minha infinita pequenez compreenda a imensão da vida e do amor. Que assim seja.
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