Como fazer para conviver com a dor?
Ela pensava nisso enquanto tomava café e olhava pela janela...
Aquela dor cortante e constante que insistia em fazê-la triste quando na verdade sempre fora uma pessoa que lutava... lutava para ser alegre.
A sombra da melancolia que carregava sobre sua cabeça desde os primórdios da infância havia se dissipado.
Passava alguns dias de felicidade, planejando o futuro, desfrutando o presente.
Mas a névoa voltou e dessa vez sem previsão de ir embora.
Vivia dividida entre a esperança e a tristeza. Queria crer no milagre, mas seus pensamentos estavam sombrios.
Como conviver com a dor?
Quando alguém que você ama tem uma doença incurável, você acaba aprendendo uma árdua lição que é a de viver um dia de cada vez.
Você passa a valorizar pequenas coisas como tomar um café, almoçar com os amigos ou até mesmo as chatices peculiares do trabalho.
Você já não se importa mais com as esquisitices do ser humano. Você começa a achar tudo pequeno, mesquinho e dá valor ao que verdadeiramente importa.
Mas às vezes você tem rompantes de raiva e quer gritar para o mundo a sua dor.
Quer fazer com que todo mundo acorde ao mesmo tempo para a Vida Verdadeira.
Quer que não haja egoísmo, mesquinharia, violência, inveja, apego e todos esses sentimentos menores,típicos de todos nós, seres humanos que estamos no Planeta Terra para nos aprimorarmos espiritualmente.
E daí você volta para o ostracismo pois percebe que a sua voz não será ouvida pela massa. Simplesmente porque o aprendizado acontece dentro do tempo de cada um.
Esta é a minha lição. Ou as minhas várias lições. Aprender a ter paciência. Aprender a viver um dia de cada vez. Aprender que apesar de toda a dor eu nada posso fazer para mudar a realidade, apenas rezar. Aprender que o que eu posso fazer é perdoar e amar.
Aprender que eu tenho que me perdoar por não conseguir fazer além, ir além.
Aprender a entender as deficiências, dificuldades e deficiências dos outros.
Aprender que, mesmo diante de tudo isso, o Pai caminha lado a lado comigo.
Aprender que, quando o peso estiver me afundando na areia da estrada da vida, o Pai me carregará em seus braços, aliviando a minha dor. E mais do que a minha dor. A dor de quem eu amo, que sofre agora e que não está nas minhas mãos entregar-lhe a cura. Apenas ajudá-la a continuar crendo nesta cura.
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