sexta-feira, 7 de maio de 2010

ASAS NOVAS




As vezes a gente assume alguns padrões mentais e nem se questiona porquê.

A gente acredita que a coisa tem que ser daquele jeito e pronto.

Mesmo que você sofra com aquilo, que a situação não esteja te fazendo bem, você acha que é o melhor, que tem que ser assim, que você tem se prender ao que é certo. Mas o que é melhor? O que é certo?


O que é melhor e certo é o que faz bem para nossas vidas. O que nos torna mais leves, felizes e capazes. O que nos faz voar.

Quando criei este blog o apelidei de Asas Novas por conta de uma historinha do Chico Bento. O caipira tinha brigado com sua namorada e ela terminou o relacionamento. Triste, Chico encontra o espírito da desilusão - Azul (ou Azur) - que o aconselha a tentar mais uma vez, por que não? Porque tem que ser daquele jeito e pronto?


Chico sai correndo. Reata com a Rosinha e passa sua mensagem: diz que se você está com um problema e ele te faz lembrar que você não nasceu com asas... e por isso você não merece voar...

então você dá uma risada disso tudo e diz - eu posso até não ter nascido com asas, mas eu mereço voar sim, porque eu fui atrás da minha felicidade e faço nascer asas novas quando eu quero!


Eu simplesmente amo essa historinha. Li em 1998. Guardei o gibi. E por esses dias, fui arrumar uns livros antigos e o gibi me encontrou. Me fez olhar para ele. Disse para mim: ei, Lu, cadê aquela menina brincalhona? Cadê aquela pessoa totalmente crédula no amor e na amizade? Cadê aquela pessoa que ri de tudo, até na tristeza? Cadê suas Asas Novas?


Baixei os olhos envergonhada. Puxa vida, o Chico Bento, do brilhante Mauricio de Souza, que tanto me distraiu quando eu era criança e queria desanuviar a cabeça daquilo que eu via... ele apareceu do jeitinho de outrem, todo brincalhão e me mandou criar Asas Novas!!!


Eu repeti a frase toda. Enchi o peito de coragem e disse que sim, eu merecia voar, porque eu vou atrás da minha felicidade. E as asas renasceram.


Claro, nada é tão fácil ou simples. Toda transformação traz dor. É preciso se curvar diante da grande lição do desapego. É preciso olhar para dentro de si mesmo e se perguntar o que realmente quer e lembrar que deve caminhar sozinho. Sozinho não. O Pai está sempre lá.


É preciso entender quem as pessoas são e não aquela projeção que criamos em nós mesmos. É preciso derrubar muros e se lançar no abismo da vida, enfrentando o medo.


É preciso continuar amando e sendo quem você realmente é, ainda que não te entendam, prejulguem, ou tirem conclusões quaisquer. É preciso saber viver, pois não?




1 pensamentos:

Andréa disse...

Amiga,
que texto lindo!!
Acho que você já havia me contado sobre o título do Blog.
Sabe, também preciso criar coragem e deixar as minhas novas asas aparecerem.
Ao longo dos anos fui me podando tanto que agora, que preciso alçar voos maiores, tenho medo de sair do chão.
Mas vale seu exemplo, sua lição, afinal, nada é por acaso.
Beijo grande,
Déa