
Envolta na névoa daquela manhã de sábado, caminhava pelo cais do porto na companhia da angústia.
Sentia frio e o desconforto era causado por algo mais do que aquele vento cortante. Fazia muito tempo que não olhava para si, por isso era difícil identificar o porquê daquele tumulto de sentimentos.
Vontade de correr, mas medo de partir. Necessidade de mudar, mas à espera de uma nova chance real. Acorrentada à angústia, gritando por um fio de esperança.
Era árduo compreender como os seres humanos conseguiam transformar suas vidas em rotinas tortuosas a serem cumpridas.
O prazer havia fugido definitivamente e seus olhos observavam aquele mar vazio, sem ondas, o céu cinza, tão cinza quanto seu próprio coração.
Sentou-se no porto e chorou profundamente. Amargamente. De repente, o Sol começou a se abrir.
Como um filme, os raios lamberam seu rosto, acariciaram sua pele, reanimaram sua vida. Ela deu um longo suspiro, ainda tensa e cansada, mas ponderou: "ainda não sei como, mas vou escrever uma nova história".
E se despediu do cais, prometendo voltar para contar como seria a nova versão de sua alma.
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