sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Por onde andas?




Por que insistes em se esconder de mim?
Nosso reencontro não será tão doloroso assim
Nada que o amor não possa curar
O tempo não possa perdoar...
Por favor, queira para a vida voltar.

Intensa luz
Envolve os corações separados
Pelas intempéries da vida
e de sentimentos desbotados

Nosso reencontro há de trazer
Novas cores para você
Basta que queira voltar para meu abraço

E descansar tua cabeça em meu regaço
Esta alma que já te perdoou
E quer te amar novamente
Como és, sem julgamento, vamos em frente

Não temas, não fujas de quem te ama
Sei que teu espírito por este momento clama

Perdoa, caminha
Abraça, aninha
Em teus braços,
Coração aos pulos

Serena-te,
Serena-te,
Serena-te


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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

O que é um psicólogo?



Acredito que um psicólogo – um bom profissional, aquele que ama o que faz – seja um condutor aos sonhos.
É aquele anjo que te leva a desbravar os caminhos do inconsciente. Ele te pega pelas mãos, aponta os labirintos, te ensina a mergulhar nos abismos das emoções e te puxa para cima para que você saia das trevas, veja a luz.
O psicólogo tira o véu dos seus olhos e te faz ver o mundo e a você mesmo, pela primeira vez talvez, com alta dose de verdade, de realidade.
O psicólogo é um mestre que te ensina a tirar a felicidade de dentro de si mesmo. Mas, antes de chegar ao diamante, é preciso que ele te conduza às escuras minas do seu coração. Leva-te a mergulhar em um lugar por vezes escuro e sombrio, ora alegre e radiante. Mostra-te que a ruína e a realização caminham lado a lado e cabe a você decidir com qual companhia deseja passar a sua vida.
Em 2008 eu recebi o belo presente do Bom Mestre de encontrar um psicólogo. Cheguei para a primeira consulta cheia de expectativas, coração aos pulos e uma certeza: vou chegar onde quero. E onde queria chegar? A mim mesmo. À felicidade que habitava em mim. Mas eu ainda não sabia disso.
Com a ajuda do condutor aos sonhos, mergulhei em mim mesma. Olhei pela primeira vez para quem eu era. Vi uma pessoa confusa, mas que ansiava por vida. Vi uma pessoa guerreira, mas que não se achava merecedora da felicidade. Compreendi que as raízes dos meus medos e inseguranças estavam fincadas no meu passado. Meu condutor pegou em minhas mãos, abriu meus olhos e me perguntou se eu ainda queria viver nas sombras.
Não, eu não queria. Porém, entre saber isso, e conseguir trilhar uma nova trajetória, está um espaço enorme.
Minha baixa auto-estima me acorrentava a um patamar que eu não mais desejava permanecer. A sensação de não-merecimento da felicidade me perseguia. Precisei romper meus preconceitos e me aventurar na aparente paixão que se mostrava diante de mim para me descobrir.
Pouco a pouco - ou talvez sempre em algum lugar do meu coração – as pistas de que aquela relação seria curta apareciam. Não conseguia ver o outro por completo e isso não fazia parte de mim. Uma coisa que meu condutor aos sonhos me ajudou a enxergar foi exatamente isso: a pessoa verdadeira que sou. E só se encaixaria perfeitamente em mim uma alma que assim também o fosse.
A solidão e o medo que de ela durasse muito tempo atravessou meu peito feito flecha com veneno. Como minha baixo auto-estima agüentaria? Ela, eu não sei, mas meu instinto de sobrevivência falou mais alto.
Quando a aparente paixão se foi, sem dizer palavra, resolvi ir à luta por mim mesma, sempre alicerçada pelo meu anjo. Ele me mostrava minhas qualidades e não me permitia recuar na viagem ao âmago do meu ser.
Comecei a sair novamente, como nos tempos de “solteirice”. Ficava pensando em como seria viver tudo aquilo, o medo da solidão batia na porta, o enfado das baladas e das conversas vazias de homens na noite...
Em um final de semana, cortei o cabelo – dizem que quando mulher quer mudar algo corta o cabelo... Acho que essa teoria procede – pintei as unhas de vermelho e fui a uma festa à fantasia. Que desafio para quem estava se recuperando de um rompimento de noivado seguido de um rompimento sem palavras – só o distanciamento – de uma aparente paixão.
O resultado foi, no mínimo, engraçado... Encontrei Ronaldinho, Indiana Jones, Bridget Jones, Bonequinha de Luxo, Kill Bill, um personagem verde que não consigo me lembrar o nome – não era o Hulk e nem o Máscara – e fiquei com o Ronaldinho. E quase com o homenzinho verde também. Peripécias para um coração cansado...
Fui para casa, guiando meu carro sozinha, imaginando como contaria para meu anjo, na próxima sessão, que terminei a minha noite com o homenzinho verde sendo retirado do meu carro pela mãe dele – sim, mãe – que também estava na tal festa.
Mas o melhor estava por vir. Redenção para um coração que ansiava por amor verdadeiro. No final de semana seguinte, eis que surge o príncipe encantado em outra festa! Não, ele não estava fantasiado. Ele se apresentou tal qual ele é. Um homem lindo que a princípio me encantou por sua beleza, mas me conquistou no minuto que começou a falar da sua família na balada.
Eu não acreditei logo de cara nele. Meu condutor aos sonhos precisou quebrar os muros que eu erguia em volta de mim para que eu pudesse permitir que o relacionamento acontecesse. E ouvia e não acreditava. Eu sentia e relutava em não sentir. Porém eu já confiava plenamente em meu anjo e resolvi seguir seus conselhos. Resultado, hoje estou noiva e feliz, feliz, feliz.
Duas páginas de texto não explicam o tamanho dos muros que derrubei. A sensação que tenho é que vivi uma década em um ano. Mudei de emprego três vezes. Vivi três relacionamentos.
Viajei ao passado. Fui até os primórdios da minha infância. Revivi meus dias de criança acuada, assustada, e que ao mesmo tempo tinha que carregar em si uma força descomunal para seu tamanho de modo a salvar os adultos deles mesmos. Enxerguei duramente que tinha cuidado de todos, menos de mim. E que isso me fazia falta.
Ao meu condutor de sonhos, esse texto é uma forma de dizer: obrigada. Mil palavras não hão de exprimir o tamanho da minha gratidão pelas mudanças que me ajudou a provocar em minha vida.
Agradeço-te por ter me tirado o véu da ilusão dos meus olhos
Agradeço-te por ter me ajudado a ver quem eu realmente sou
Agradeço-te porque ao ver quem eu sou, dei espaço para que outra pessoa iluminada visse meu brilho e nos apaixonássemos mutuamente.
Agradeço-te por estar me conduzindo ao doloroso, mas extremamente gratificante processo de resgate do meu passado que há de me guiar até as portas do PERDÃO E DO AMOR. E, tu, meu condutor aos sonhos, sabes bem do que estou falando.
Sabes também que o perdão e o amor já habitam em mim. E agradeço-te por isso.
Agradeço-te pelo dia que me dei conta disso. Quando abri a porta, naquele exercício, e vi minha avó, em túnica branca, de braços abertos, me pedindo para ir até a paz, pois eu sabia onde ela estava...
Agradeço ao Bom Mestre por ter permitido meu encontro com você!

Este texto é para Carla Regina da Rocha Trindade.
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domingo, 14 de dezembro de 2008

Dia do Noivado

Ela acordou radiante. Não porque soubesse que aquele seria o dia de seu noivado, porque não sabia! Simplesmente estava plena de felicidade ao acordar ao lado daquele que tanto amava e a enchia de mimos.
Ele a abraçou, beijou e logo o amor veio intenso e cheio de luz, reafirmando todos os laços que já os uniam em poucos meses de convivência. Mas a afinidade era tanta, que pareciam almas que já se conheciam e estavam esperando apenas o momento certo de se reencontrarem.
Foram à padaria, compraram pãezinhos, manteiga, queijo, leite desnatado (ela não queria sair muito do regime) e – por que não – um bolinho de chocolate para adoçar aqueles lábios tão doces de ternura.
Tomaram café juntos, riram das piadas um do outro, colocaram altas doses de leveza e companheirismo naqueles momentos compartilhados. Seguiram para o computador, acessar a Internet, ele pediu ajuda para escolher um curso. Queria continuar estudando em 2009.
Encontraram, fizeram a inscrição, e aquilo lhes encheu de ânimo novo. Era como se a cumplicidade dos dois tornasse as escolhas mais fáceis e um sentimento de quem em breve construiriam uma vida a dois ia crescendo.
Hora de sair. Em pleno dezembro, às vésperas do Natal, ela tinha que comprar o presente do amigo secreto da empresa, o presente do sobrinho e afilhado e queria comprar umas coisinhas para ela mesma, já que o abençoado décimo terceiro possibilitava uns gastos extras.
Antes de seguir para o shopping, passaram no supermercado. A mãe dela tinha visto uma promoção de leite em um anúncio e lá foram eles. Duas caixas de leite depois, passaram pela seção de vinhos e bateu aquela vontade... Escolheram um e seguiram adiante. Logo lembraram que passariam a virada do ano na praia e pegaram uns espumantes. Intuitivamente, saíram com quatro garrafas do supermercado, ainda sem planos de como usariam todas.
Rumo ao shopping, munidos de altas doses de paciência, conseguem estacionar, uma vitória! Primeira missão: a compra do presente do sobrinho. “Moço, tem o carro do Batman?”. E o rapaz desce um super brinquedo com um precinho de R$ 200... Ela olha para a prateleira e vê um Batman enorme, pensa no rostinho do afilhado e crê que os olhinhos dele vão brilhar mais com o bonecão. “Ah, eu quero aquele ali”. E leva.
Depois, o presente do amigo secreto. Uma loja, outra, mais outra, até que finalmente vem o sentimento de “É este!”. Compra caixinha, compra cartão, o amigo merece, é muito querido!
As roupas para ela. Passa na Renner, aquele mar de gente. Tudo bem, vamos lá. Ainda está no saldo da paciência. Escolhe uns vestidos e ele, delicadamente, diz. “Experimenta com calma amor. Escolhe direitinho”. E ela ri por dentro, percebendo que ele reconhece nela a impaciência, mas a ama mesmo assim “do jeitinho que ela é”, como já afirmara tantas vezes. Relaxa e entra na fila do provador, feliz da vida, porque sabe que ao sair vai encontrá-lo com o mesmo carinho de sempre, sem um resquício de mau humor.
Sai do provador, pega três peças e diz que quer escolher umas bijuterias. Ele se propõe a carregar as roupas enquanto ela escolhe e mais: “vou te ajudar a escolher”. Desembaraça colares, dá sugestões e ainda diz “Quero ver meu amor cada vez mais lindo”... O peito dela se enche de amor, parece que vai flutuar. E sabe que não vai acordar do sonho, porque tudo é real. E recíproco.
Quatro da tarde... os dois estão famintos da jornada, hora de almoçar. Brasileirinho para ele (bisteca, arroz, tutu de feijão e batata frita) e frango, creme de milho e legumes para ela (regime, de novo). Ficam ali, curtindo aquele momento, degustando os pratos, amando-se com o olhar.
Resolvem dar uma zapeada nas joalherias. Mas ela está há dois dias com a mesma sandália nos pés e após tantas horas de um lado para o outro, sente tanta dor que começa a mancar. Ele pergunta se ela quer ir embora e ela diz que não, imagina, vamos dar um jeito. Entram na C&A, ela tira as sandálias e refresca os pés no chão gelado. Compra uma Ipanema branca e prata, estilo ano novo e sai brincando com o slogan da marca “As anatômicas só Ipanema tem”... E agradece pela anatomia da sandália que realmente fez toda a diferença para aqueles pés cansados.
Brinca com a situação, afinal, vai visitar joalheria toda de preto com uma Ipanema branca dos pés e brincos prateados na orelha... Riem... O que importa é o consolo. Seguem com a missão.
Vêem alianças em uma, outra loja, até que entram naquela que os ajudaria a selar sua união. Ele parece nervoso, ela brinca, pergunta se está decidido mesmo, ele afirma que está certo, que queria fazer isso há tempos (se conhecem há apenas sete meses) e entram. A vendedora os deixa esperando por um tempinho, pois estava fechando uma venda. Chega sorridente, pede para servir água, preenche aquele tempo com muita simpatia e o reconhece, pois ele trabalha para aquela marca de jóias e esporadicamente visita aquela loja.
Ela se entusiasma, fala dos descontos, mostra a caixa com opções de alianças para o casal. Eles optam por uma bela e tradicional peça de ouro amarelo e ela corre para ver se tem o número deles. “Opa, vocês estão com sorte! Tem sim”. Sorrisos.
“Deixa eu ver se o ourives está aí para gravar os nomes”. Eram quase dezenove horas, o rapaz estava de saída, mas... “Sim, eu faço!”. E ela desce, sorri para os dois e diz: “realmente vocês estão com sorte”.
Eles saem da loja, sacam dinheiro, voltam e pagam... As jóias estavam lá, reluzentes, gravadas, imponentes. Indescritível o que se passava entre os dois. Risos de felicidade plena, daquela que você primeiro acredita que só existe em filme... Mas não, ela se transpõe para o mundo real e perpassa pelos corpos e almas daqueles que verdadeiramente se amam. Ela estava nervosa, mas um nervosismo engraçado, de quem nunca havia experimentado uma sensação tão boa antes. Como era bom se sentir assim! Como era bom ter certeza de amar e ser amada!
A vendedora pergunta se ela tem pai, no que ela responde, em dúvida sobre o porquê da pergunta, que sim. A moça diz então que ele deve pedir a mão dela em casamento para o pai, senão contaria para o chefe dele que ele não tinha feito tudo como manda o figurino. Todos riem.
Alianças na caixinha, sorriso nos lábios e no coração, esperança de uma vida de muito amor. Resolvem ir para a casa dela levar as compras e as 24 caixas de leite do começo do dia.
Chegam lá, a mãe dela está adoentada, vem convalescendo há alguns dias, estava vendo televisão, com um rostinho meio desanimado. Ela cerca a mãe mostrando os vestidos, comenta que comprou um Batman enorme para o afilhado, mostra as bijuterias, a mãe não deixa de reparar nas sandálias Ipanema e ela conta toda a situação que levou à compra da peça e... Pergunta se a mãe não quer um vinho espumante ou se prefere evitá-lo por causa dos remédios.
A mãe responde um “melhor não”, ainda inocente do que se passaria ali. E ele, então, pega a caixinha e pergunta se ela o autoriza a pedir a moça em casamento. A mãe ri, abre um sorrisão, diz que sim, claro, e seus olhos se enchem de felicidade. A cachorrinha da moça passeia entre um e outro, pede atenção, joga a bolinha azul e quando tem brecha pula no colo da dona, encarando o noivo, mostrando que ainda tem o amor dela. Tudo bem, o coração é grande, tem espaço para toda forma de amor verdadeira.
Celebram aquele momento ali, os quatro – ela, ele, a mãe dela e a cachorrinha – sentados na sala, tomando Salton espumante em copo de vidro (poxa, ninguém lembrou de comprar taça, mas isso já não tinha a menor importância...), em frente à televisão que transmitia Bridget Jones no limite da razão.
Assistem ao filme e depois seguem para a casa dele que estava vazia, pois os pais haviam viajado em férias. Antes, passam no mercado, compram um pãozinho, pois já era uma da manhã e a fome voltava a se instalar.
Comem o lanche rápido, bate o sono, sobem e dormem abraçados. Corações entrelaçados, o amor representado naquelas alianças, uma sensação de leveza, cumplicidade, magia e muita proteção os envolvia. Adormecem na paz dos eternamente apaixonados.


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Andanças


Escolhes agora onde serão as andanças
Ilumines a estrada com tuas esperanças
Cheiro de terra molhada
Euforia de criança
É bela a jornada
Harmoniosa como uma dança

Céu pintado com as cores
Dos seus novos amores
Amor-paixão, amor-amigo, amor-consigo
Tudo salpicado
De sabor incontido

Risada leve
Ressoa pelo horizonte
Chega a quem está ao longe
Em um abraço envolvente
Doce e entorpecente

Cria asas e voa alto
Dá as mãos e eleva quem está ao seu lado
Momento abençoado
De agradecimento
Obrigado, obrigado!

A nova vida que escreveria


Estava cansada de tudo. Tomou um longo banho morno, tentando se livrar dos pensamentos confusos e dos resquícios de lembrança.
Enquanto a água escorria sobre seu corpo, pensava em como seria o dia seguinte. Tudo era novo, e no seu coração acelerado, havia um misto de medo e esperança.
Há muito queria dar um basta. Já não era sem tempo que precisava declarar vida nova. A relação tornara-se monótona, mas ela não havia notado. Não percebia que apenas cumpria com a rotina, do cuidar do outro, no entanto, sem receber o cuidado de mulher que lhe preencheria.
A água descia e ela sentia como se as lembranças corressem na mesma velocidade. Tantos anos e pouco significado. Tanto tempo e simultaneamente, tempo algum.
A família também já a via com outros olhos. Ela sentia isso. Embora ainda não entendesse muito bem qual era o filtro usado, sabia impor respeito, mas se sentia cansada. De tanta confusão, de tanta cobrança nas entrelinhas...
Saiu do banho, enroscou-se na toalha, mas os pensamentos não a deixavam em paz. Pareciam atordoá-la, como se ela precisasse dar cabo de tudo. Não da vida, de modo algum, a vida era valiosa demais. Tinha que dar cabo daquele passado e de quem fora por tantos e tantos anos.
No íntimo, sentia que era outra pessoa, mas não exatamente quem. Sabia o que não queria mais e começava a vislumbrar diante de seu caminho o que seria dali para frente.
Ainda teria que lidar com obstáculos. Mas, guerreira como sempre fora, munir-se-ia de novas armas para vencê-los. Deitou-se na cama, abriu a janela, deixou o vento percorrer o quarto com o ar da purificação, da renovação. Abraçou o boneco de pelúcia em um gesto de carinho e generosidade com si própria. Não precisava ser de ferro o tempo todo.
Uma lágrima começou a escorrer pelo canto dos olhos, depois outra e mais outra. Escorria como a água do chuveiro. Escorria o passado.
Sentia a dor da inveja e, um pouco acuada ainda, decidia como lidaria com aquilo. Se era invejada, era porque tinha uma luz própria tão intensa que incomodava quem a rodeava. Ainda que o véu que insistia em cobrir-lhe os olhos tentasse esconder a verdade, esta surgia intensa, resoluta, imponente e sussurrava em seu ouvido que era hora de revelar-se. Era seu momento, seu recomeço. A nova oportunidade que havia desejado e feito por merecer. Hora de ser feliz.
O cansaço foi dando lugar a um sentimento de vontade, de alegria, euforia. Vestiu a roupa que refletia sua luz. O perfume que acentuava sua aura de amor próprio e pelo mundo. Sorriu e partiu para a vida. A nova vida que começaria a escrever a partir daquele minuto.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Os grandes juízes


Recordo-me de um trecho de “A cabana” em que o personagem central se depara com um problema relativo à sua personalidade e que podemos facilmente estender às personalidades de todos nós: os grandes juízes que somos.
Diariamente e talvez de hora em hora – outros de minuto em minuto – estamos fazendo julgamentos. Julgamos o cara que está dirigindo o carro à frente e demora demais para andar, julgamos as frases do chefe “o que ele quis dizer com isso”, julgamos a pessoa pela roupa que veste ou lugar onde mora... E assim por diante.
Evidentemente que em alguns momentos somos mais ou menos juízes. E que algumas pessoas são juízes mais severos que outras. Mas eu acho que a profissão do ditado “de médico e de louco todo mundo tem um pouco” poderia ser substituída.
Somos seres humanos, sujeitos a erros e acertos e todos (pelo menos deveríamos estar) estamos no caminho da evolução e do aprendizado. Só que de vez em quando nosso grande juiz incorpora de tal maneira em nossas mentes que é praticamente impossível seguir evoluindo. Estancamos. E nem nos damos conta disso. Ou será que damos?
É por essas e outras que sempre fui adepta do jogo aberto. Caso eu interprete alguma coisa de uma maneira e fique em dúvida, pergunto. Claro que isso é aprendizado e que não consigo ser 100% do tempo desse modo. Mas vou me policiando, juíza de mim mesma.
Porque se interpretei de modo errôneo o que o outro me disse, fiquei chateada com aquilo, e a pessoa sequer teve a intenção de me machucar ou quis dizer algo completamente distinto da mensagem interpretada por mim, será que essa pessoa não tem o direito de saber? Será que ela não gostaria de saber o que vai à minha mente para eu dizer: sim, é isso mesmo que você entendeu. Ou, não, você está errada, eu quis dizer isso, isso e aquilo.
Porém o grande juiz que habita em nós não nos permite fazer isso. Não temos generosidade suficiente para ouvir o outro. A verdade que construímos é a que vale, é a única, inabalável. Nossa percepção está isenta de erros. Afinal, somos os grandes juízes e grandes juízes não erram!
O que percebo é que as pessoas estão cada vez mais centradas no seu próprio universo e umbigo e julgam os outros através dessa percepção limitada. Não estão preocupadas em ser generosas e fazer o outro refletir, de algum modo. Isolam-se em casulos de proteção ainda que estejam feridas por dentro mediante julgamentos que o grande juiz tenha realizado. E como disse acima, estancam.
Não quero com este texto nem de longe afirmar que todos os julgamentos do grande juiz estejam errados. Mas na dúvida, por que não perguntar? Por que se esconder? Por que não ser generoso e compartilhar com o outro? Não deixemos que os grandes juízes nos impeçam de viver em plenitude! Porém, cabe lembrarmos também de aplicarmos um pouco da receita do grande juiz em nós mesmos para que o julgamento saia mais ou menos próximo da realidade!

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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Vôo para a eternidade


Aquiete seu coração
Assenta a poeira da estrada
Após longa jornada
Tu bens que merece o perdão
E parar de sofrer a dor da solidão

Olhe para o alto e faça uma oração
Não será mais um sermão
Mas a cura para a ferida
Que foi chaga aberta e dolorida
E recebe o bálsamo da vida
Que acalma como uma canção

Braços dados com a chance concedida
Sorriso sereno, a oportunidade bendita
De um recomeço sincero
É tudo o que mais quero
Mesmo sem saber se é merecida

Aperte o passo, pegue o bonde
O momento é este e passa para quem se esconde
Sabes que não tem mais tempo a perder
Deves agora viver
No alto, sobre o monte
Formado por orações de quem o avista ao longe
E quer sua redenção
E nossa união

Aquiete seu coração
Sorria, sinta o poder da canção
Do bálsamo da vida
Intensa, colorida
Que apaga os dias cinzentos
Tristes ou agourentos
E traz os louros da vitória
Para decorar o tapete que se estende para tua nova trajetória

Braços dados com a saudade
Olhos atentos para a serenidade
De quem ama e perdoa
E voa longo vôo para a eternidade
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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Deixe ir



Deixe ir
A dor, o desdém
De quem não consegue ver além
Das aparências, sem vivências

Deixe ir
O que te pesa na alma
Se te acorrenta, acalma!
O amanhã está por vir

Deixe ir
As mazelas, enfermidades
Maldades ou atrocidades
Que não pertencem a ti

Deixe ir
O mal aparente
O amor ausente
A amizade indiferente
Para a vida ressurgir

Deixe ir
Aquilo que na tua vida
Não cabe mais
Pois Deus sabe o que faz
E quer para seus filhos,
Luz, Amor e Paz!
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