
Ela acordou radiante. Não porque soubesse que aquele seria o dia de seu noivado, porque não sabia! Simplesmente estava plena de felicidade ao acordar ao lado daquele que tanto amava e a enchia de mimos.
Ele a abraçou, beijou e logo o amor veio intenso e cheio de luz, reafirmando todos os laços que já os uniam em poucos meses de convivência. Mas a afinidade era tanta, que pareciam almas que já se conheciam e estavam esperando apenas o momento certo de se reencontrarem.
Foram à padaria, compraram pãezinhos, manteiga, queijo, leite desnatado (ela não queria sair muito do regime) e – por que não – um bolinho de chocolate para adoçar aqueles lábios tão doces de ternura.
Tomaram café juntos, riram das piadas um do outro, colocaram altas doses de leveza e companheirismo naqueles momentos compartilhados. Seguiram para o computador, acessar a Internet, ele pediu ajuda para escolher um curso. Queria continuar estudando em 2009.
Encontraram, fizeram a inscrição, e aquilo lhes encheu de ânimo novo. Era como se a cumplicidade dos dois tornasse as escolhas mais fáceis e um sentimento de quem em breve construiriam uma vida a dois ia crescendo.
Hora de sair. Em pleno dezembro, às vésperas do Natal, ela tinha que comprar o presente do amigo secreto da empresa, o presente do sobrinho e afilhado e queria comprar umas coisinhas para ela mesma, já que o abençoado décimo terceiro possibilitava uns gastos extras.
Antes de seguir para o shopping, passaram no supermercado. A mãe dela tinha visto uma promoção de leite em um anúncio e lá foram eles. Duas caixas de leite depois, passaram pela seção de vinhos e bateu aquela vontade... Escolheram um e seguiram adiante. Logo lembraram que passariam a virada do ano na praia e pegaram uns espumantes. Intuitivamente, saíram com quatro garrafas do supermercado, ainda sem planos de como usariam todas.
Rumo ao shopping, munidos de altas doses de paciência, conseguem estacionar, uma vitória! Primeira missão: a compra do presente do sobrinho. “Moço, tem o carro do Batman?”. E o rapaz desce um super brinquedo com um precinho de R$ 200... Ela olha para a prateleira e vê um Batman enorme, pensa no rostinho do afilhado e crê que os olhinhos dele vão brilhar mais com o bonecão. “Ah, eu quero aquele ali”. E leva.
Depois, o presente do amigo secreto. Uma loja, outra, mais outra, até que finalmente vem o sentimento de “É este!”. Compra caixinha, compra cartão, o amigo merece, é muito querido!
As roupas para ela. Passa na Renner, aquele mar de gente. Tudo bem, vamos lá. Ainda está no saldo da paciência. Escolhe uns vestidos e ele, delicadamente, diz. “Experimenta com calma amor. Escolhe direitinho”. E ela ri por dentro, percebendo que ele reconhece nela a impaciência, mas a ama mesmo assim “do jeitinho que ela é”, como já afirmara tantas vezes. Relaxa e entra na fila do provador, feliz da vida, porque sabe que ao sair vai encontrá-lo com o mesmo carinho de sempre, sem um resquício de mau humor.
Sai do provador, pega três peças e diz que quer escolher umas bijuterias. Ele se propõe a carregar as roupas enquanto ela escolhe e mais: “vou te ajudar a escolher”. Desembaraça colares, dá sugestões e ainda diz “Quero ver meu amor cada vez mais lindo”... O peito dela se enche de amor, parece que vai flutuar. E sabe que não vai acordar do sonho, porque tudo é real. E recíproco.
Quatro da tarde... os dois estão famintos da jornada, hora de almoçar. Brasileirinho para ele (bisteca, arroz, tutu de feijão e batata frita) e frango, creme de milho e legumes para ela (regime, de novo). Ficam ali, curtindo aquele momento, degustando os pratos, amando-se com o olhar.
Resolvem dar uma zapeada nas joalherias. Mas ela está há dois dias com a mesma sandália nos pés e após tantas horas de um lado para o outro, sente tanta dor que começa a mancar. Ele pergunta se ela quer ir embora e ela diz que não, imagina, vamos dar um jeito. Entram na C&A, ela tira as sandálias e refresca os pés no chão gelado. Compra uma Ipanema branca e prata, estilo ano novo e sai brincando com o slogan da marca “As anatômicas só Ipanema tem”... E agradece pela anatomia da sandália que realmente fez toda a diferença para aqueles pés cansados.
Brinca com a situação, afinal, vai visitar joalheria toda de preto com uma Ipanema branca dos pés e brincos prateados na orelha... Riem... O que importa é o consolo. Seguem com a missão.
Vêem alianças em uma, outra loja, até que entram naquela que os ajudaria a selar sua união. Ele parece nervoso, ela brinca, pergunta se está decidido mesmo, ele afirma que está certo, que queria fazer isso há tempos (se conhecem há apenas sete meses) e entram. A vendedora os deixa esperando por um tempinho, pois estava fechando uma venda. Chega sorridente, pede para servir água, preenche aquele tempo com muita simpatia e o reconhece, pois ele trabalha para aquela marca de jóias e esporadicamente visita aquela loja.
Ela se entusiasma, fala dos descontos, mostra a caixa com opções de alianças para o casal. Eles optam por uma bela e tradicional peça de ouro amarelo e ela corre para ver se tem o número deles. “Opa, vocês estão com sorte! Tem sim”. Sorrisos.
“Deixa eu ver se o ourives está aí para gravar os nomes”. Eram quase dezenove horas, o rapaz estava de saída, mas... “Sim, eu faço!”. E ela desce, sorri para os dois e diz: “realmente vocês estão com sorte”.
Eles saem da loja, sacam dinheiro, voltam e pagam... As jóias estavam lá, reluzentes, gravadas, imponentes. Indescritível o que se passava entre os dois. Risos de felicidade plena, daquela que você primeiro acredita que só existe em filme... Mas não, ela se transpõe para o mundo real e perpassa pelos corpos e almas daqueles que verdadeiramente se amam. Ela estava nervosa, mas um nervosismo engraçado, de quem nunca havia experimentado uma sensação tão boa antes. Como era bom se sentir assim! Como era bom ter certeza de amar e ser amada!
A vendedora pergunta se ela tem pai, no que ela responde, em dúvida sobre o porquê da pergunta, que sim. A moça diz então que ele deve pedir a mão dela em casamento para o pai, senão contaria para o chefe dele que ele não tinha feito tudo como manda o figurino. Todos riem.
Alianças na caixinha, sorriso nos lábios e no coração, esperança de uma vida de muito amor. Resolvem ir para a casa dela levar as compras e as 24 caixas de leite do começo do dia.
Chegam lá, a mãe dela está adoentada, vem convalescendo há alguns dias, estava vendo televisão, com um rostinho meio desanimado. Ela cerca a mãe mostrando os vestidos, comenta que comprou um Batman enorme para o afilhado, mostra as bijuterias, a mãe não deixa de reparar nas sandálias Ipanema e ela conta toda a situação que levou à compra da peça e... Pergunta se a mãe não quer um vinho espumante ou se prefere evitá-lo por causa dos remédios.
A mãe responde um “melhor não”, ainda inocente do que se passaria ali. E ele, então, pega a caixinha e pergunta se ela o autoriza a pedir a moça em casamento. A mãe ri, abre um sorrisão, diz que sim, claro, e seus olhos se enchem de felicidade. A cachorrinha da moça passeia entre um e outro, pede atenção, joga a bolinha azul e quando tem brecha pula no colo da dona, encarando o noivo, mostrando que ainda tem o amor dela. Tudo bem, o coração é grande, tem espaço para toda forma de amor verdadeira.
Celebram aquele momento ali, os quatro – ela, ele, a mãe dela e a cachorrinha – sentados na sala, tomando Salton espumante em copo de vidro (poxa, ninguém lembrou de comprar taça, mas isso já não tinha a menor importância...), em frente à televisão que transmitia Bridget Jones no limite da razão.
Assistem ao filme e depois seguem para a casa dele que estava vazia, pois os pais haviam viajado em férias. Antes, passam no mercado, compram um pãozinho, pois já era uma da manhã e a fome voltava a se instalar.
Comem o lanche rápido, bate o sono, sobem e dormem abraçados. Corações entrelaçados, o amor representado naquelas alianças, uma sensação de leveza, cumplicidade, magia e muita proteção os envolvia. Adormecem na paz dos eternamente apaixonados.