
Nosso país não passou por um terremoto que acabou com todas as suas frágeis estruturas, como o Haiti, mas as chuvas que acometem São Paulo e outras regiões do país nos fazem pensar se também não merecemos ajuda ou pelo menos uma ligeira atenção dos nossos governantes.
Considero louvável a preocupação dispensada pelo nosso presidente aos haitianos enviando exército e ajuda em dinheiro. Mas por que cargas dágua as nossas chuvas são vistas como um probleminha qualquer?
Pessoas da periferia de São Paulo estão convivendo há dois meses com ratos, sapos, cobras, peixes invandindo suas casas. O Jardim Romano pede socorro e nada de ajuda. Os habitantes foram esquecidos e vivem como porcos como bem falou uma moradora ontem em reportagem veiculada no Domingo Espetacular, da Record.
Neste final de semana foi publicada uma matéria na Vejinha SP com depoimentos de jornalistas que passaram 48 horas alojados em casas invadidas pelas águas. É realmente impressionante. Mas mais impressionante do que o que está acontecendo é termos autoridades que não analisam o problema e apontam soluções.
Dar auxílio-moradia para que essas pessoas fiquem alguns meses alojadas em outros lugares não resolve a questão! Como imaginar que você levou uma vida para ter seu canto, sua casa e simplesmente deixá-lo lá, entregue às águas lamacentas, aos bichos?
Claro que quem vê de fora acha que essa é a solução mais razoável e até condena os pobres coitados. Mas será que alguém consegue conceber o que se passa na mente e nos corações desses indivíduos.
Um senhor disse que há dezessete anos mora na região e que não sairá de lá. Ele enfatizou: eu não sou invasor, bandido. Eu PAGUEI por essa casa!
Aquilo realmente me comoveu. Um trabalhador, pai de família,adquiriu seu imóvel, viveu uma vida toda nele e agora ele tem que sair porque foi expulso pelas águas da chuva. Foi expulso pela má-educação de quem joga lixo na rua. Foi expulso pelo descaso do governo que pensa primeiro no Haiti e, quem sabe um dia, no Brasil!
Sem dúvida que os haitianos merecem toda a ajuda do mundo. Mas as nossas mazelas por aqui são enormes também. Quando entro no site do meu banco, tem uma mensagem para eu clicar num botão se quiser ajudar as vítimas do terremoto naquele triste país devastado até a última gota pela violência, pelo tráfico, pela pobreza e também pela natureza. Se eu quiser ajudar aqui, alguém da minha terra, vou ter que pensar muito como fazer, se é que dá para fazer algo.
Daí essa situação toda nos suscita a seguinte dúvida: é mais “bonito” internacionalmente ajudar o Haiti e fechar os olhos para as nossas desgraças? Será que ajudar a todos que realmente estão precisando não seria mais digno?





