quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Pais e Filhos





Sempre achei que ter um filho requer muita responsabilidade. Não só no que diz respeito a dinheiro, aos custos envolvidos com saúde, escola, roupas, fraldas, etc, etc. Mas principalmente à formação da personalidade da criança, à formação moral.

Ouvi dizer que o "principal" da personalidade dos pequenos se forma até os sete anos. Então, suas experiências nessa fase serão marcantes para sua vida e como ele conduzirá diversas situações. Imagine a responsabilidade!

Se você parar para pensar, vai ver que se lembra de muitas coisas dessa fase de sua vida. Eu, por exemplo, lembro muitíssimo bem.

Por isso mesmo que estou escrevendo esse post. Infelizmente as lembranças que tenho dessa época me afetam negativamente até os dias de hoje.

Algumas atitudes que tenho parecem ter sido condicionadas a partir daquele período. Uma propensão a ver o lado "negro da força", de achar que algo pode dar errado, de ver o contra onde algumas vezes só tem prós... de ter medo.

Calma, calma, quem me conhece sabe que não sou tão neurótica assim. Mas a verdade é que esse medinho, essa tristeza, essa capa de angústia e medo vez por outra me cobre e tenho que lutar com todas as forças para tirá-la de mim.

Portanto, quem é pai, mãe, cuide com carinho e amor do seu filho. Ele pode até não se lembrar do brinquedo espetacular que você deu de presente no Dia das Crianças daqui a alguns anos, mas certamente vai se lembrar se você não lhe deu amor, deixou de brincar com ele, gritou, brigou, bateu, ou tomou alguma atitude ruim, violenta com alguém na frente dele.

Somos resultado de nossas experiências. E elas começam cedo. Portanto, devemos pensar bem nas experiências que desejamos que nossos filhos passem em seus primeiros anos pois elas serão quase que determinantes para eles pelo resto de suas vidas.


--

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Decepção!

Como é amargo o gosto da decepção!
Por esses dias, passei por um momento bem ruim. Alguém que eu não esperava me magoou.
Tá certo que eu me considero uma dessas pessoas que se magoam com certa facilidade. Mas tem coisas que causam umas mágoas profundas, que por mais que a gente tente relevar, fingir para nós mesmos que não importou tanto assim, que não é para tudo isso... a dor se faz presente.
Fiquei - aliás estou até agora - com aquele gosto amargo na boca. Literalmente eu consigo sentir esse gosto. E no estômago, um enjôo, na cabeça, uma tontura. Por isso quando nos decepcionamos dizemos "que pancada"... porque a sensação é de uma pancada bem dada.
Estou escrevendo aqui para ver se consigo exorcizar essa dorzinha chata e constante que sombreou meus olhos. Ouvi até de duas pessoas com quem trabalho: "Você tá melhor?" (sem saber a origem do que tinha me deixado mal... ou "to te achando tão tristezinha essa semana". Mesmo tentando duramente não mostrar nada para ninguém.
A questão é que não consigo deixar de mostrar para mim mesma que me decepcionei. E estou colando os caquinhos, mas aquilo que é colado dificilmente toma a forma original. É justamente isso que me assusta...

domingo, 6 de setembro de 2009

Desesperar jamais



Desesperar jamais
Aprendemos muito nesses anos
Afinal de contas não tem cabimento
Entregar o jogo no primeiro tempoNada de correr da raia
Nada de morrer na praia
Nada! Nada! Nada de esquecerNo balanço de perdas e danos
Já tivemos muitos desenganos
Já tivemos muito que chorar
Mas agora, acho que chegou a hora
De fazer Valer o dito popular
Desesperar jamais
Cutucou por baixo, o de cima cai
Desesperar jamais
Cutucou com jeito, não levanta mais


Fui buscar uma música que revelasse meus sentimentos... Eta trem bão que achei uma perfeita!!!
Essa do Ivan Lins veio tocando na minha mente e não me lembrava ao certo a letra. Pois nada como o pai google para resolver.
Lição de vida. Quantas vezes não nos desesperamos? A coisa não sai do jeito que a gente quer. A demora nos angustia. A pessoa que confiamos nos engana na maior cara dura. O projeto que construimos cai por terra. A doença, o medo, o desespero, a angústia nos atropelam?
Mas nesse domingo chuvoso, eu aqui em casa, com minha mãe e Paloma fazendo companhia, meu amor, tadinho, lá trabalhando e eu cá fazendo trabalho para o MBA de marketing... um sentimento de alegria, de conquista, de passo a passo sendo realizado, de satisfação pessoal por ser uma pessoa honesta, íntegra, que fala duro e briga quando necessário, mas sempre com justiça, com amor no coração, sem nunca desejar o mal, apenas justiça.
Tive uma série em cadeia de decepções de uns tempos para cá. Certamente que devo ter causado tantas outras por aí. Mas a grande diferença é que eu não quis decepcionar ninguém, enquanto que fui deliberadamente vítima de gente de má fé.
Vítima não, afinal, como sempre digo, Deus ajuda os bons e na hora H sempre fui salva pelo gongo.
Então esse post é uma celebração ao Poder Divino, uma reafirmação da minha fé, em todos os tempos, mesmo quando eu aparentemente fraquejar, uma celebração ao amor que domina meu coração e cada minuto da minha vida. Este post é um agradecimento pela Proteção e Amor do Pai e um muito obrigado à Vida que me dá duras lições, mas que traz as compensações em seguida.
Que assim seja!

sábado, 29 de agosto de 2009

Sobre a razão e a loucura



Nunca havia lido nada sobre este tema. Até que chegou às minhas mãos “Veronika decide morrer”, de Paulo Coelho. Com trechos autobiográficos e relatos de conversas com outros internos das fases em que viveu em um hospital psiquiátrico, o autor discorre brilhantemente, sem maiores pretensões e por isso mesmo de uma forma envolvente e clara, sobre os limites entre razão e loucura.

Sair dos padrões, extrapolar limites, ser quem você realmente é, expor seus pensamentos, buscar seus dons, suas vontades, amar intensamente, não se importar com que os outros dizem ou pensam, não ter necessidade de seguir padrões convencionais... tudo isso pode ser praticamente enquadrado dentro do universo da loucura.

Porque se você parar para pensar, quando pode realmente falar o que pensa sem ter medo de ferir o outro ou de ser mal interpretado? Mesmo quando o que você está fazendo é algo que vem do âmago do seu ser, você sente aquilo ou você acredita que expondo a realidade, o problema, pode conduzir a uma solução? Raramente você pode ser integralmente sincero. Ser integralmente sincero é uma loucura. Pois os “normais” filtram o que devem dizer.

Um trecho interessante do livro é a comparação da loucura com o transbordamento da água de um tanque. E a razão é justamente viver no tanque, cuidar das bordas. Mas por outro lado, se você nunca ultrapassa as bordas, vai acabar caindo na loucura. Um verdadeiro paradoxo, não?

Isso porque cada ser humano é único. E acredito piamente que tem pessoas que não conseguem viver no tanque da realidade, do mundo dito normal e por isso vivem extrapolando. Elas amam demais, choram demais, ou mesmo enxergam a si e aos outros demais, em uma espécie de lucidez assustadora pois o mundo e as pessoas não são tão cor de rosa assim.

Esse louco por excesso de lucidez se magoa por não poder falar o que pensa ipsis literis, por não poder demonstrar seu amor ou sua raiva integralmente, por precisar cumprir as burocracias da vida, por não acreditar que subir cada vez mais alto em uma profissão tem necessariamente a ver com perder todas as outras coisas boas que a vida pode lhe oferecer e que você tem que se sentir feliz por viver enjaulado!

Então esse louco se deprime, chora, ultrapassa o tanque com rios de lágrimas que de alguma forma têm que sair de dentro dele e dar vazão a tudo o que carrega dentro de si. Para não ser tachado de louco, para continuar sobrevivendo nessa terra de mais padrões e regras na qual quanto mais se trabalha, estuda, trabalha, estuda, trabalha, estuda, sobe de cargo, tem mais e mais emails, mais e mais responsabilidades e gente chamando por seu nome, esquecendo-se que você é, afinal de carne e osso; enfim, para continuar vivendo nesse contexto, não perder tudo o que construiu (e afinal o que construiu mesmo?) não desatar os delicados laços que sustentam suas relações e a vida de quem depende dele, então esse ser precisa seguir em frente, dentro do tanque e só extrapolar o tanque quando ninguém estiver vendo.

Meu TCC para o curso de jornalismo da Puc, em 2000 foi sobre Jornalismo e Literatura. Abordei autores que eram jornalistas, mas que sempre enveredavam pelo universo da ficção. E Carlos Heitor Cony me escreveu uma coisa que jamais me esqueci e que voltei a evocar hoje ao terminar de ler o livro de Coelho: o jornalista era um peixe de águas rasas, enquanto que o escritor era um peixe de águas profundas, tinha um oceano inteiro para mergulhar.
Isso significa que um vive na superficialidade, justamente, na faixa da realidade e da razão. Mas como alguns jornalistas (e alguns outros loucos) não conseguem ficar nadando nessa margem, então eles mergulham na ficção, criam realidades paralelas e muito mais profundas – transbordam o tanque. Criar outras realidades não é justamente loucura?!

Essa interpretação é minha, mas me parece razoável. Acho que por isso que Coelho decidiu escrever, para viver as outras realidades, outras vidas que só os livros – onde todo tipo de loucura é permitida – nos podem mostrar.
Ps: ontem fiz aniversário. Mais um ano de razão ou loucura?

domingo, 23 de agosto de 2009

Sozinha na jornada





Noite escura, breu total. Caminhava sozinha. Não conseguia ver o que tinha ao seu redor, nem à frente, tampouco atrás. A única certeza que tinha era do chão sob seus pés. Mas também não conseguia enxergá-lo.
Embora ela não o visse, era ele, o chão, seu contato com o mundo físico e era nele que tinha que seguir. E embora sozinha, sabia que o único sentido do caminho era sempre em frente.
Quantas e quantas vezes não sentimos o vazio da existência? Questionava-se. O porquê de tudo, o sentido de cada coisa, quem nos amparará quando cairmos ou vacilarmos?
Pensamentos tristonhos permeavam sua mente, mas seguia, sempre na mesma direção, sozinha na jornada, ansiando por finalmente ver onde daria aquela estrada de escuridão.
Acordou. Era um sonho. Pensou no que significaria e no que sentira. Sentiu que aquela certeza de caminhar no escuro, sem medo e sem saber onde tudo iria dar só poderia vir de um lugar: do Pai Maior. E serenou um pouco seu coração.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Despedidas

Mais uma vez, digo adeus.
Ou melhor, até logo, até daqui a pouco, por favor, que esse pouco, seja pouco mesmo.
Mais uma vez a dor da saudade dá uma rasteira na minha alma
Perco o prumo, o rumo, o sentido e tudo o que envolve a orientação.
Mas me reergo porque é assim que a vida manda.
Não temos tempo para chorar nossas partidas, nossas breves ou longas despedidas,
as separações que não queremos que aconteçam,
mas que insistem em acontecer,
porque esse é o movimento, esse é o ciclo.

Os laços não se rompem,
porque assim é a amizade, o amor verdadeiro
A gente se entrelaça
e não tem jeito de desatar
a gente se abraça
e nunca mais quer soltar
a gente chora
mas quer mais é gargalhar

Gargalhar de alegria
Pela vida que pulsa em nós
Que limpa nossos corações
com boas energias
emanadas dos sentimentos puros e verdadeiros
e quem não entende desses versos
Meu sinto muito e meu conselho:
corra, seja ligeiro,
porque a vida passa,
as despedidas doem,
mas quem ama tem direito
ao amor por inteiro.



Marilda: essa é pra vc!

sábado, 18 de julho de 2009

Quando o passado não quer passar





Sabe aqueles relacionamentos intempestivos, que acontecem na sua vida por algum motivo que na hora você não entende porquê, mas assim como chegou vai embora?

Ela abriu a janela do quarto, que dava para uma paisagem linda, um lago congelado pelo inverno, enquanto aquela pergunta martelava em sua mente.

Ouvia relatos de amigas que não conseguiam se desprender do passado. Os relacionamentos viviam as rodeando. Saiam com um, com outro, voltavam a sair com quem não vinham há anos ou mesmo com quem vinham sempre e já estavam com o status de amigo.

Permitiam que as esnobasse, humilhavam-se por algumas horas de carinho dissimulado ou mesmo sexo que se esvaziaria na manhã seguinte ou na mesma noite mesmo.

Naquela manhã, tomando o ar puro e gelado que vinha da janela, ela pensava em todos esses relatos. Se enrolou no cobertor, desceu para um chocolate quente e os pensamentos inundavam sua alma em uma tentativa de encontrar respostas.

Já fazia um tempo que não era conselheira sentimental de nenhuma amiga. Aliás, se dera conta de que sentia falta daquela amizade estilo colégio, na qual uma dorme na casa da outra e conta tudo, sem pudores dos detalhes, da vida e das relações. A amiga confidente ouve tudo, compreensiva, às vezes com alguma ponta de inveja, outras, fula da vida de ciúmes daquele que quer levar a amiga embora, ou fula da vida com aquele fulano que chega não sei sabe de onde, vai embora não se sabe porquê, mas claro, sempre passando por cima que nem um trator da amiga querida...

Pegou o chocolate quente, subiu de novo para o quarto. Era sábado de manhã e queria curtir uma preguiça. Ainda enrolada no cobertor, pensou naquela amiga, a Rita, que tinha um rol de amigos que sempre frequentava os mesmos lugares. Ela já tinha ficado com quase todos, mais de uma vez com cada um. Sabia que era por pura carência, mas fica pensando se não julgariam mal a amiga... A amiga que, como todas as mulheres do mundo, só estavam buscando um cobertor de orelha...

Fechou os olhos e riu da Rita! Puxa, que saudade tinha dela. Trabalharam no mesmo escritório, mas a Rita tinha arranjado outro trabalho e estavam há um tempinho sem se ver. Soube até que a Rita tinha machucado o pé, daquele jeito estabanado dela, mas que estava se recuperando. Que saudades da Rita!

Mais um gole de chocolate e mais uma lembrança. Dessa vez era da falante da Maria. Maria era engraçada. Adorava um futebol, tinha um sotaque peculiar, uma força de vontade férrea que a fez perder uns quilos e ficar ainda mais bonita.

Maria também era uma amiga de trabalho, mas que já morava no coração dela. Afinal, ela tinha, apesar de ainda não ser, um jeitão de mãe que quer acolher todo mundo. Dar conselhos, puxar a orelha... mas estava aprendendo que não poderia ser assim para sempre e que primeiro tinha que cuidar dela mesma! Mas, enfim... estava lembrando da Maria.

Maria há pouco tempo - e como no fundo era de se esperar - tinha terminado um relacionamento meio conturbado. Claro, tudo tinha começado com amor, mas a coisa tomou aquele rumo que ninguém sabe onde vai dar, só tem certeza que vai dar errado. Ninguém tinha coragem de dizer para a Maria que aquele cara não era para ela, era uma âncora no pé da pobre. Mesmo sem os conselhos das amigas, ela foi adiante e fim! Acabou tudo.

Tá certo que foi dormir com a culpa... Ah, essa culpa.

Como a culpa é companheira das mulheres não?? Dos homens eu não sei, nunca vi homem morrendo de culpa porque traiu a namorada. Pelo contrário, é capaz de fazer a namorada se sentir culpada porque deu motivo para ele trair!!!

Não era só a Maria que tinha culpa. Em mais um gole de chocolate, olhou para a canela de porcelana, viu o seu próprio reflexo e riu. Ela também convivera com a culpa por um tempo, digamos, dispensável de tão longo. Eta atraso de vida!!

Manteve um longo relacionamento com uma pessoa e nunca parou para pensar no que estava fazendo. Daí veio aquelas paixões repentinas que derrubam tudo e derrubou a casa de areia. Mas um vento mais forte também derrubou rapidinho as paredes daquela paixão que eram de palha. E ela se viu liberta. Dos relacionamentos doentis e da culpa.

Vira e mexe o passado tenta fazê-la se lembrar de como tudo aconteceu. E embora ela ainda esteja aprendendo como caminhar na fase "adulta" de sua vida, já sabe que tem coisas que não merecem mais ocupar seus pensamentos. E mesmo quando o passado não quer passar... ela tem o livre-arbítrio para mandá-lo embora.
Sorriu de novo, ergueu a caneca de chocolate quente em direção ao lago, ao vento, à vida que se abria e lhe sorria lá fora e fez um brinde. Um brinde às novas chances!


--